A moda também pode ser revolucionária. Ao ousar com criatividade ou apenas (sic) questionar os padrões impostos na época em que viviam, mulheres abriram caminho para um enredo mais libertário na história de toda uma geração. As roupas deixaram de ser apenas uma utilidade estética para se tornarem peças símbolo de uma proposta original que resumia os anseios do público feminino da época. Nos anos 20 e 30, por exemplo, Elsa Schiaparelli contestou o moralismo e trouxe a subversão da inspiração surrealista para as suas coleções. Confira outras 3 mulheres que fizeram história na moda:
Coco Chanel
Nascida em 1883, a francesa é a responsável por feitos importantes para o público feminino. Ela livrou as mulheres do espartilho, as vestiu com calças e sapatos baixos; primando pelo conforto sem esquecer da elegância. Chanel criou roupas que devolveram o movimento às mulheres e as tornaram donas de seu próprio corpo novamente.
Em um período escasso de pós-guerra, transformou o uso de bijuterias em tendência e utilizou matéria prima barata na confecção de suas coleções. E, além de tudo isso, ainda inventou o corte de cabelo curto que hoje leva o seu nome e eternizou o Chanel nº 5 como um dos perfumes mais vendidos do mundo. A estilista rompeu com os padrões do vestuário da belle époque, personificou os ideais de conquistas femininas dos anos 20 e se transformou no símbolo da mulher moderna da época.
Vivienne Westwood
A estilista inglesa, de 76 anos, é conhecida como a precursora do punk na moda. Ao lado do seu segundo marido Malcolm McLaren, produtor da banda punk Sex Pistols, ela abriu a loja ‘Let’s it rock’, voltada para o público da periferia de Londres. McLaren era produtor da banda Sex Pistols. A loja vendia roupas com pegada ‘colérica’, especialmente camisetas com palavras de ordem, quando o chavão “paz e amor” do movimento hippie ainda predominava. A mais famosa peça dela, responsável pela prisão da estilista, estampava o rosto da rainha Elizabeth com um alfinete na boca. A ideia de Vivienne surgiu depois que o músico Sid Vicious, do Sex Pistols, apareceu na loja com uma calça rasgada e um alfinete segurando a abertura. Daí ela teve o estalo da pegada da moda de guerrilha urbana.
Quando o movimento punk saiu de cena, Vivienne acabou se afastando dessa estética e se assumindo como ativista do consumo consciente; muito engajada politicamente. Hoje ela é uma das principais figuras do cenário fashion.
Zuzu Angel
Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, é uma estilista brasileira transgressora dos anos 60 e 70. Ela apresentou ao mundo a moda brasileira, num estilo original que misturava a identidade tropical com a cultura popular e os ares modernos da época.
Sua criação ia contra a tendência da moda brasileira, que copiava o estilo europeu. Ela valorizou a nossa diversidade, usou materiais considerados pouco nobres, como chita e aplicou sobre tecidos nobres como a seda. Animais e temas folclóricos estampavam suas peças. Quis desmistificar o glamour entorno da moda e vestir a mulher comum brasileira.
Ela também lutou contra a ditadura em busca do corpo do filho desaparecido. Utilizou as passarelas de Nova York como vitrine para as denúncias de tortura do regime. Acabou sendo morta em um atentado provocado pelos militares em 1976. Virou tema de canção de Chico Buarque, em Angélica.
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